
Imagine uma loja online com, em média, R$ 400.000 em mercadorias no estoque. Para comprar, guardar e, às vezes, deixar faltar esses itens, ela gasta cerca de R$ 422 por dia, ou R$ 154.000 por ano. Esse é o custo de estoque, e ele sai da margem de cada produto.
Informações do artigo:
O custo de estoque costuma ser maior do que o valor que aparece na nota fiscal de compra. Além do preço pago ao fornecedor, cada item guardado consome capital, ocupa espaço, exige mão de obra e corre o risco de estragar, sumir ou sair de linha.
Quando esse custo não é medido, a empresa decide no escuro: compra demais para ganhar desconto e perde o ganho em armazenagem, ou enxuga demais e perde vendas por falta de produto. Nos dois casos, quem paga é a margem e o capital de giro.
Custo de estoque é o conjunto de gastos que uma empresa tem para adquirir, manter e gerenciar mercadorias, matérias-primas ou produtos acabados até a venda ou o uso. Ele inclui o custo de fazer pedidos, o custo de manter os itens armazenados (capital, espaço e riscos) e o custo de não ter o produto quando o cliente procura.
O termo é usado com dois sentidos, e vale separá-los:
O custo de estoque é composto por três grandes grupos: custos de pedido, custos de manutenção e custos de falta. O valor de compra das mercadorias pode ou não entrar na conta, dependendo do objetivo da análise.
| Grupo | O que inclui | Como se comporta |
| Custo de pedido | Equipe de compras, cotações, emissão de pedidos, recebimento, conferência e gastos administrativos da reposição | Cresce com o número de pedidos |
| Custo de manutenção | Capital imobilizado, armazenagem, mão de obra, movimentação, seguros, perdas, deterioração e obsolescência | Cresce com o volume e o tempo em estoque |
| Custo de falta (ruptura) | Margem das vendas perdidas, fretes de urgência, multas por atraso e perda de clientes | Cresce quando o estoque é insuficiente |
Esses grupos puxam em direções opostas. Comprar em lotes maiores reduz o custo de pedido, mas aumenta o de manutenção. Trabalhar com estoque muito baixo reduz a manutenção, mas eleva o risco de ruptura.
Os principais tipos de custos de estoque são seis. Três deles (armazenagem, capital e risco) formam o custo de manutenção; pedido e falta correspondem aos outros dois grupos; e a aquisição entra ou fica fora da conta conforme o objetivo da análise. Veja cada um:
Custo de estoque é o total gasto para ter mercadorias disponíveis; custo de armazenagem é apenas a parcela ligada ao espaço e à operação física; e CMV é o custo das mercadorias efetivamente vendidas no período.
| Conceito | O que mede | O que inclui | Para que serve |
| Custo de estoque (gerencial) | Quanto custa repor, manter e deixar faltar produtos | Pedido + manutenção + falta | Definir níveis de estoque e políticas de reposição |
| Custo de armazenagem | Quanto custam o espaço e a operação física | Aluguel, energia, equipe e equipamentos | Avaliar ocupação e estrutura |
| Custo do estoque (contábil, CPC 16) | Por quanto o estoque é registrado no balanço | Aquisição, transformação e gastos para colocar o item em condição e local atuais | Elaborar demonstrações contábeis |
| CMV – Custo da Mercadoria Vendida | Quanto custaram os itens vendidos no período | Estoque inicial + compras − estoque final | Calcular lucro bruto, margem e giro |
A fórmula do CMV é:
CMV = Estoque inicial + Compras − Estoque final
É comum ver essa fórmula apresentada como “a fórmula do custo de estoque“. Ela não é. O CMV informa o custo do que saiu do estoque; não diz nada sobre aluguel, juros, perdas ou vendas perdidas por falta.
Pelo CPC 16, gastos com armazenamento não entram no custo dos estoques, exceto quando são necessários ao processo produtivo. Quem olha só para o CMV, portanto, não enxerga o custo de manter estoque.
Para calcular o custo de estoque, some o custo de pedido, o custo de manutenção e o custo de falta de um mesmo período, normalmente 12 meses. Não existe uma fórmula única: o método depende do objetivo da análise.
Estoque médio = (Estoque inicial + Estoque final) ÷ 2
Em negócios sazonais, use a média dos saldos mensais.
Custo total de estoque = Custo de pedido + Custo de manutenção + Custo de falta
Onde:
Use apenas o custo de manutenção para saber quanto o estoque atual custa por ano. Para comparar fornecedores ou decidir entre comprar e produzir, some também o custo de aquisição das mercadorias.
Considere uma loja online fictícia de utilidades domésticas, com cerca de 1.500 itens (SKUs) no catálogo e picos de venda na Black Friday e no Natal. Os dados dos últimos 12 meses são:
Passo 1 – Estoque médio
(380.000 + 420.000) ÷ 2 = R$ 400.000
Passo 2 – Custo de capital
400.000 × 12% = R$ 48.000
Passo 3 – Custo de manutenção
48.000 + 56.000 + 20.000 = R$ 124.000
Passo 4 – Custo de pedido
120 × 150 = R$ 18.000
Passo 5 – Custo de falta
40.000 × 30% = R$ 12.000
Passo 6 – Custo total de estoque
124.000 + 18.000 + 12.000 = R$ 154.000 por ano
Esse total equivale a 38,5% do estoque médio e a cerca de R$ 422 por dia (154.000 ÷ 365).
Para comparar, o CMV da mesma empresa é 380.000 + 2.440.000 − 420.000 = R$ 2.400.000. Ele mede o custo das mercadorias vendidas; os R$ 154.000 são um gasto adicional, que precisa caber na margem bruta.
Se a loja também pagou frete expresso para repor itens esgotados, esse gasto entra no custo de falta. Os valores são ilustrativos. Não há percentual de referência válido para todas as empresas.
O custo de manutenção de estoque é calculado multiplicando o estoque médio pela taxa de manutenção do período. Esse custo, também chamado de custo de carregamento, representa quanto a empresa gasta para manter capital e mercadorias estocadas ao longo do tempo.
Taxa de manutenção (%) = (Custo de capital + Armazenagem + Risco) ÷ Estoque médio × 100
Custo de manutenção = Estoque médio × Taxa de manutenção
No exemplo, a taxa é de 31% ao ano (124.000 ÷ 400.000). Cada R$ 100 em mercadorias paradas por 12 meses custam R$ 31 à empresa.
A mesma taxa permite calcular o custo de um item específico:
Custo de manter um item = Valor em estoque × Taxa anual × (Meses em estoque ÷ 12)
Um lote de R$ 10.000 parado por 6 meses custa 10.000 × 31% × 6 ÷ 12 = R$ 1.550.
Lembre-se de separar o que é fixo do que é variável. Reduzir o estoque libera o custo de capital de imediato; aluguel e salários só caem se a estrutura for redimensionada.
Estoque parado aumenta o custo de manutenção sem gerar receita: o capital fica imobilizado, o espaço fica ocupado e o risco de perda cresce a cada mês.
Os principais efeitos são:
Na loja do exemplo, reduzir o estoque médio em 15% libera R$ 60.000 de caixa e economiza R$ 7.200 por ano só em custo de capital (60.000 × 12%).
Para reduzir o custo de estoque, ajuste a quantidade comprada à demanda real, concentre o controle nos itens de maior valor e elimine o que não gira.
Use histórico de vendas, sazonalidade e calendário promocional para projetar a demanda por item. Uma previsão de demanda mais precisa reduz ao mesmo tempo o excesso e a falta.
A curva ABC ordena os produtos pela participação no valor movimentado. Itens A concentram o capital e merecem revisão frequente e estoques mais justos. Itens C podem ter regras simples.
O estoque de segurança é a reserva que cobre variações de demanda e atrasos do fornecedor. O ponto de pedido é o saldo que dispara a reposição:
Ponto de pedido = Demanda média diária × Prazo de reposição em dias + Estoque de segurança
Desconto por volume só compensa se for maior que o custo de manter o excedente. Com taxa de 31% ao ano, um lote comprado para durar três meses e consumido aos poucos fica, em média, com metade do valor parado. O custo de manter esse excedente é de cerca de 3,9% do valor do lote (31% × 3 ÷ 12 ÷ 2), e um desconto de 5% compensa. Se o lote ficar inteiro parado durante os três meses, o custo sobe para 7,75%, e o mesmo desconto não cobre esse custo. O lote econômico de compra (LEC) ajuda a encontrar esse equilíbrio. Ele indica a quantidade ideal de cada pedido: comprar muito de uma vez aumenta o custo de manter o estoque, e comprar pouco, muitas vezes, aumenta o custo de fazer pedidos.
A conta usa três dados: quanto você vende por ano, quanto custa fazer cada pedido e quanto custa manter o produto guardado. Muitos sistemas de gestão (ERP) já fazem esse cálculo automaticamente.
Na loja do exemplo, o LEC indica fazer pedidos maiores e menos frequentes: cerca de 50 por ano, em vez dos 120 atuais. Na prática, o cálculo é feito produto a produto..
Negocie também prazos de entrega menores e lotes mínimos menores, que reduzem o estoque de segurança e o capital imobilizado.
A logística de saída também pesa nessa conta. Com entregas rápidas para todo o país a partir de um único estoque, a loja não precisa espalhar mercadoria em vários pontos para ficar perto do cliente, e concentrar o estoque reduz o volume total parado. A Loggi oferece coleta no endereço da loja, envio a partir de pontos de postagem e entrega local, com integração às principais plataformas de e-commerce e ERPs.
Liste periodicamente os itens (SKUs) sem venda há mais de 90 ou 180 dias e dê um destino a cada um: promoção, kit, devolução ao fornecedor ou baixa.
Inventários rotativos mantêm o saldo do sistema igual ao físico. Um sistema de gestão (ERP) com leitura por código de barras registra as movimentações em tempo real e melhora o controle de estoque, evitando comprar o que já existe.
Os indicadores mais úteis para controlar o custo de estoque são giro de estoque, cobertura, taxa de ruptura, acuracidade e índice de perdas.
| Indicador | Fórmula | O que revela |
| Giro de estoque | CMV ÷ Estoque médio | Quantas vezes o estoque foi renovado no período |
| Cobertura (dias de estoque) | Estoque médio ÷ CMV × dias do período | Por quantos dias o estoque atende a demanda |
| Taxa de ruptura | Itens em falta ÷ Itens ativos × 100 | Com que frequência falta produto |
| Acuracidade | Itens com saldo correto ÷ Itens contados × 100 | Se o saldo do sistema confere com o físico |
| Perdas e obsolescência | Valor baixado ÷ Estoque médio × 100 | Quanto do estoque se perde |
Na distribuidora do exemplo, o giro é de 6 vezes ao ano (2.400.000 ÷ 400.000) e a cobertura é de cerca de 61 dias.
Conhecer o custo de estoque transforma uma percepção (“temos mercadoria demais”) em um número que pode ser gerenciado. Com ele, é possível comparar o ganho de um desconto por volume com o custo de carregar o excedente.
O objetivo não é ter o menor estoque possível, e sim o menor custo total. Excesso consome capital e margem; falta consome receita e clientes.
Esse equilíbrio muda com a demanda, os prazos dos fornecedores e o custo do dinheiro. Por isso, refaça o cálculo periodicamente e acompanhe os indicadores.
Para que um estoque mais enxuto não vire atraso na casa do cliente, a entrega precisa acompanhar. Conheça as soluções de envio da Loggi para e-commerce e integre sua loja à nossa operação.
A fórmula mais usada é: Custo total de estoque = Custo de pedido + Custo de manutenção + Custo de falta. O custo de manutenção reúne capital, armazenagem e risco. Quando a análise compara fornecedores ou lotes de compra, soma-se também o custo de aquisição das mercadorias.
O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) mede quanto custaram os produtos vendidos em um período: Estoque inicial + Compras − Estoque final. O custo de estoque mede quanto a empresa gasta para repor e manter produtos disponíveis, incluindo capital, armazenagem, perdas e rupturas.
Entram no custo de manutenção de estoque o custo de capital (juros ou custo de oportunidade), os gastos de armazenagem (aluguel, energia, equipe e equipamentos) e os custos de risco (seguros, furtos, avarias e obsolescência). O total costuma ser expresso como percentual anual sobre o estoque médio.
Para reduzir o custo de estoque, melhore a previsão de demanda, classifique os itens pela curva ABC, defina estoque de segurança e ponto de pedido por produto, elimine itens parados e mantenha a acuracidade com inventários rotativos. Negociar prazos e lotes menores com fornecedores também reduz o capital imobilizado.
A equipe de redação do blog Loggi é um time dinâmico que explora os meandros da logística, e-commerce e gestão. Com habilidades diversas, cada escritor contribui para contar histórias envolventes sobre transporte, inovação e estratégias empresariais. Juntos, compartilhamos a visão da Loggi de transformar a experiência logística no Brasil.